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ARTIGOS

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

PORQUE O OCUPE ESTELITA É MAIS QUE UMA CAUSA EM PROL DA HUMANIDADE E DO PÉ DE MANGA

Uma das funções do Estado é garantir condições dignas para a população. Nesse sentido, desde escolas públicas passando por atendimento médico, segurança, transportes públicos, tudo deveria ser de qualidade (pelo menos mínima, o que é exigir pouco considerando o pagamento de impostos) para o povo.

Esse argumento pode ser sempre invocado para falar mal das autoridades que deveriam atender aos nossos interesses. Isso, no entanto, não é novidade. A proposta aqui é pensar um pouco além.

O Estado (o conjunto de instituições jurídicas, políticas), já foi dito por vários pensadores, existe principalmente para atender aos interesses de quem detém poder financeiro (a tal elite). Pois vamos fazer uma linha de raciocínio buscando interligar aspectos que parecem, numa primeira olhada, não terem relação.

CARROS. 

Se existe um veículo que se opõe ao que deveria ser uma das funções da cidade, este é o carro particular como é usado hoje em dia. Ele resolve o problema individual de conforto para ir/voltar do trabalho. Como muitas pessoas trabalham, então temos muitos carros particulares nas ruas.

E os temos porque o transporte público prestado à população não presta (o trocadilho foi proposital). Quem iria investir em combustível diariamente se tivesse conforto e segurança nos ônibus e metrôs da cidade?

Mas investir em transporte público de qualidade é contrariar interesses das montadoras - eita, tem uma fábrica de automóveis funcionando aqui perto! Identificou a relação?

TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE REDUZIRIA OS LUCROS DAS MONTADORAS

PROJETO NOVO RECIFE.

O projeto novo recife, da forma que tentam implementá-lo, não atende a função de gerar encontros que a cidade tem (e teve noutros tempos). Aquele espaço do Estelita daria um fabuloso lugar de encontro, de sociabilidades as mais diversas.

O projeto que querem implementar não contribuiria para a diversidade de encontros, as possibilidades que podem ser criadas e recriadas a partir de espaços públicos de qualidade.

Nesse ponto pense: quando se quer encontrar com as pessoas que te fazem bem, o que se faz? shopping. Neste o que se faz? Ver vitrines, vitrines e o máximo de sociabilidade saudável (será?) que se tem é ir ao cinema (com altos valores de ingresso e mais altos se for na sala de maior "conforto") ou a praça de alimentação com a comida cara, pouco saudável e que as conversas são gritos (quem nunca voltou pra casa rouca/o após uma tarde no shopping?).

A relação:

ESPAÇOS PÚBLICOS DE QUALIDADE REDUZIRIAM OS LUCROS DOS SHOPPINGS

O #OcupeEstelita é a causa em prol da humanidade e do pé de manga porque representa o empoderamento do que é nosso: a cidade. Ela é nossa.

Há tempos ocorre esse tipo de ingerência: ações são implementadas sem a participação de todas as pessoas interessadas ou que seriam e são afetadas pelo que se decide.

O #OcupeEstelita foi um passo fundamental na retomada do espaço da cidade, do espaço da política e repercute no mundo. Não repercute na grande mídia daqui pois esta tem relações diretas com as montadoras de automóveis, construtoras, shoppings, empresas rodoviárias.

Essa é a relação com o pé de manga: com mais espaços públicos, haverá mais árvores frutíferas. Com transporte público de qualidade mais pessoas se encontrarão e irão para as praças e poderão "se atrepar" no pé de manga ou curtir sua sombra.

Devemos problematizar o que nos é mostrado como único caminho, única possibilidade.

Temos o direito de assumir qualquer lado, mas, é fundamental escarafunchar, questionar, duvidar e, sinceramente, não creio que entendendo o que deve ser uma cidade e comparando com a que temos, defendamos o projeto novo recife, ainda que saiba que muitas pessoas o defendam.

O vídeo abaixo, lançado recentemente, contribui e muito para entendermos a situação da cidade/nossa.

Abra seu coração.

Pense FORA DA CAIXA.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

IDEOLOGIA, DISCURSO DE ÓDIO E RESULTADO DAS ELEIÇÕES - uma reflexão a partir de Slavoj Zizek

Após o resultado das eleições assistimos a manifestações explícitas de ódio contra nordestinos/as colocando-as/os como principais responsáveis pela derrota do candidato Aécio Neves.

A propagação desses raciocínios mais do que indignar deve levar ao questionamento dos motivos de se manifestarem e tão escancaradamente, sem pudores mesmo.

Está ligado a ideologia. Mais do que conjunto de ideias, ideologia pode ser entendida também como o que dá sentido ao nosso modo de estar no mundo, é o que legitima nossas formas coletivas de sentir, pensar e agir.

O vídeo abaixo foi montado a partir do documentário “O Guia Pervertido da Ideologia“, de Sophie Fiennes, em que Žižek explica sua teoria da ideologia e, nessa montagem, podemos ampliar a reflexão sobre o que acontece no país.

Pense FORA DA CAIXA



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

TREINANDO PARA O ENEM - 2014 - POBREZA, MISÉRIA, PAPA FRANCISCO E OS SOCIALISTAS

Em História, uma das habilidades importantes para quem fará a prova nos próximos dias é identificar semelhanças e diferenças em tempos históricos diferentes e em espaços diversos também.

Essa habilidade é mais do que simplesmente afirmar: antes era assim, agora é desse outro jeito.

Identificar semelhanças e diferenças em tempos e espaços históricos diversos (ou os mesmos) é ser capaz identificar o que diferencia determinado acontecimento, comportamento no mesmo lugar - ou não, no mesmo tempo - ou não.

EXEMPLO:

Quando se trata de pobreza e miséria um dos momentos históricos que geralmente são mencionados é a chamada Idade Contemporânea, mais especificamente o conteúdo da Revolução Industrial.

As transformações que a revolução técnica causou criaram um mundo marcado pela prosperidade material para alguns (os donos dos meios de produção, a burguesia industrial) e a pobreza e miséria para outras/os (a força de trabalho, o proletariado).

As condições de miséria levaram tanto a reações quanto a reflexões e, a partir daí, ocorreram o movimento dos quebradores de máquinas, dos cartistas e as reflexões (que se desdobraram em ações) socialistas.

O ENEM pode solicitar que IDENTIFIQUEMOS nestes ESPAÇOS e TEMPOS diversos AS SEMELHANÇAS com o que temos nestas condições atualmente.

Temos miséria (SEMELHANÇA) mas com uma DIFERENÇA: o mundo no qual vivemos, superou a condição de sobrevivência e produzimos  alimentos suficientes para não ter mais fome no planeta.

Por extensão, vem a PROBLEMATIZAÇÃO: POR QUE ainda tem gente morrendo de fome? A QUEM INTERESSA a manutenção dessa ordem vigente?

Nesse sentido, cabe BUSCAR quais os desafios dos socialismos neste mundo.

Recentemente o papa Francisco deu uma declaração que pode nos ajudar a pensar sobre o assunto:

(...)
"Eu só posso dizer que os comunistas têm roubado a nossa bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro de o Evangelho", disse ele, citando passagens bíblicas sobre a necessidade de ajudar os pobres, os doentes e os necessitados.

"Os comunistas dizem que tudo isso é comunismo. Claro, vinte séculos mais tarde. Então, quando eles falam, pode-se dizer: 'mas então você é cristão'", disse ele, rindo.

Desde sua eleição, em março de 2013, Francisco tem frequentemente atacado o sistema econômico global como sendo insensível aos pobres e não fazer o suficiente para compartilhar a riqueza com aqueles que mais precisam.

No início deste mês, ele criticou a riqueza feita a partir de especulação financeira como intolerável e disse que a especulação com commodities era um escândalo que comprometeu o acesso dos pobres aos alimentos."


Pense FORA DA CAIXA


LEIA O TEXTO COMPLETO EM:

Papa afirma que comunistas são os cristãos não assumidos







sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O "SER DE ESQUERDA" E A AMPLIAÇÃO DO QUE VEM A SER ISSO - A FUNDAMENTAL CONTRIBUIÇÃO DE DELEUZE

Uma das frases mais repetidas nos últimos tempos é: 

"Não existe mais esse negócio de esquerda ou direita!" "isso está ultrapassado!"

Uma das formas pelas quais a ideologia se mantém e se reproduz é através da homogeneização das diferenças e ocultação das contradições. É fundamental considerar que esquerda / direita são mais do que posicionamentos políticos ou ideológicos. São formas de ser, estar e agir no mundo.

Ainda que o posicionamento ativo não pareça existir ou está tão diluído que podemos ver caminhando juntos, em alguns setores do nosso cotidiano político (e social), grupos, pessoas, partidos que, noutros tempos, sequer dividiriam palcos, muito menos uma coligação a situação que temos diante de nós pede uma reflexão além do que a vista alcança.

Já passou da hora de se repensar algumas posturas conciliatórias, que foram proveitosas noutro momento, para lembrar que a dinâmica social vai gerar a transformação e esse acordo conciliatório criou sua própria antítese exposta na composição de nossa casa legislativa.

O pensador Deleuze foi questionado sobre o que é ser de esquerda. Eis sua resposta:

"Acho que não existe governo de esquerda. Não se espantem com isso. O governo francês, que deveria ser de esquerda, não é de esquerda. Não é que não existam diferenças nos governos. O que pode existir é um governo favorável a algumas exigências da esquerda. Mas não existe governo de esquerda, pois a esquerda não tem nada a ver com governo. Se me pedissem para definir o que é ser de esquerda ou definir a esquerda, eu o faria de duas formas.

Primeiro é uma questão de percepção. A questão de percepção é a seguinte: o que é não ser de esquerda? Não ser de esquerda é como um endereço postal. Parte-se primeiro de si próprio, depois vem a rua em que se está, depois a cidade, o país, os outros países e, assim, cada vez mais longe. Começa-se por si mesmo e, na medida em que se é privilegiado, em que se vive em um país rico, costuma-se pensar em como fazer para que esta situação perdure. Sabe-se que há perigos, que isso não vai durar e que é muita loucura.

Como fazer para que isso dure? As pessoas pensam: “Os chineses estão longe, mas como fazer para que a Europa dure ainda mais?” E ser de esquerda é o contrário. É perceber... dizem que os japoneses percebem assim. Não veem como nós, percebem de outra forma. Primeiro eles percebem o contorno. Começam pelo mundo, depois o continente... europeu, por exemplo... depois a França, até chegarmos à rue de Bizerte e a mim.

É um fenômeno de percepção. Primeiro percebe-se o horizonte.

Entrevistadora: mas os japoneses não são um povo de esquerda.

Mas isso não importa. Estão à esquerda.

Primeiro, vê no horizonte e sabe que não pode durar, não é possível que milhares de pessoas morram de fome. Isso não pode mais durar. Não é possível essa injustiça absoluta. Não em nome da moral, mas em nome da própria percepção.

Ser de esquerda é começar pela ponta. Começar pela ponta e considerar que estes problemas devem ser resolvidos. Não é simplesmente achar que a natalidade deve ser reduzida, pois é uma maneira de preservar os privilégios europeus. Deve se encontrar os arranjos, os agenciamentos mundiais que farão com que o terceiro mundo... ser de esquerda é saber que os problemas do terceiro mundo estão mais próximos de nós do que os de nosso bairro. É de fato uma questão de percepção.

Não tem nada a ver com a boa alma. Para mim, ser de esquerda é isso.

E, segundo, ser de esquerda é ser ou devir minoria. Não deixar devir minoritário. A esquerda nunca é maioria enquanto esquerda por uma razão simples: a maioria é algo que supõe, até quando se vota, não é só a maior quantidade que vota para tal coisa mas a existência de um padrão. No ocidente, o padrão de qualquer maioria é: homem, adulto, macho, cidadão. Ezra Pound e Joyce disseram coisas assim. O padrão é esse.

Portanto, irá obter maioria aquele que, em determinado momento, realizar este padrão. Ou seja, a imagem sensata do homem adulto, macho, cidadão. Mas posso dizer que a maioria nunca é ninguém. É um padrão vazio. Só que muitas pessoas se reconhecem nesse padrão vazio. Mas, em si, o padrão é vazio. O homem macho, etc...

As mulheres vão contar e intervir nesta maioria ou em minorias secundárias a partir de seu grupo relacionado a este padrão. Mas, ao lado disso, o que há? Há todos os devires que são minoria. As mulheres não adquiriram o ser mulher por natureza. Elas têm um devir mulher. Se elas têm um devir mulher, os homens também o têm. Falamos do devir animal. As crianças também têm um devir criança. Não são crianças por natureza. Todos os devires são minoritários.

Entrevistadora: só os homens não têm um devir homem...

Não, pois é um padrão majoritário. É vazio. O homem macho, adulto não tem devir. Pode devir mulher e virar minoria. A esquerda é o conjunto de processos de devir minoritário. Eu afirmo: a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo. Ser de esquerda é isso: saber que a minoria é todo mundo e que é aí que acontece o fenômeno do devir. É por isso que todos os pensadores tiveram dúvidas em relação à democracia, dúvidas sobre o que chamamos de eleição. Mas são coisas bem conhecidas".

Pense FORA DA CAIXA.

Eis o vídeo com a resposta do pensador:





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PRIVATIZAÇÃO - O QUE É, COMO SE FAZ E SEUS RESULTADOS

Palavra fácil nos discursos políticos recentes, privatização é mais que doce conceitual na boca da galera. Entender o que é e, principalmente, seus resultados, é fundamental para a tomada de decisões eleitorais que se aproximam e para entender projetos políticos anteriores e vindouros.

1. O QUE É

Privatização é quando se vende um setor da economia para empresas ou grupos que podem ser nacionais ou internacionais. Essas empresas passam a prestar o serviço que antes era realizado pelo Estado.

2. POR QUE ACONTECE

É comum se afirmar que privatizações são realizadas pois o Estado não consegue prestar o serviço com qualidade. A privatização acontece, então, para que um grupo ou empresa faça o que o Estado não tem condições de fazer.

3. POR QUE REALMENTE ACONTECE

As privatizações acontecem, na verdade, para atender aos interesses do capital, principalmente internacional. Grupos que compram o direito de explorar setores da economia o fazem pois são setores financeiramente rentáveis - MUITO RENTÁVEIS.

Os investimentos que são feitos e que melhoram a condição do serviço ou ampliam a exploração do setor não são realizados com objetivos de melhorar a economia do  país ou a qualidade de vida da população que efetivamente precisa de serviços melhores.

São o mínimo de investimento que deve ser feito para ter retorno várias vezes maior.

4. COMO ACONTECEM

São realizados leilões através dos quais as empresas/grupos interessados dão lances a partir de um valor mínimo.

5. QUAIS OS PROBLEMAS DAS PRIVATIZAÇÕES

São vários, mas tratemos dos mais simples:

a. o rendimento que as empresas privatizadas têm é infinitamente superior ao valor pelo qual foram vendidas. Você pensou, provavelmente: "mas foi porque as empresas investiram"...

Sim, até foi. O que chamo atenção é para o fato de que os setores que foram privatizados, se recebessem o investimento necessário, renderiam para o Estado -  por extensão para o população - esses lucros que seriam reinvestidos em infra-estrutura para a própria população.

A Cia Vale do Rio Doce nos dá exemplo interessante: foi vendida por três bilhões de dólares. Sabe qual foi o faturamento da empresa depois? Eu te digo: dez bilhões de dólares.

Considere que o projeto da Vale implicava a ampliação de extensa malha ferroviária que serviria tanto para o transporte do minério extraído quanto da população. Ou seja: qualidade de transporte.

b. empresas privatizadas visam o lucro - apenas. Pense um pouco mais: quando ocorrem crises e grassa o desemprego, o que temos notícias: demissões em massa em empresas particulares. Se há possibilidade de redução de lucros, a ação das empresas que administram as privatizadas é demitir. O motivo? Reduzir a folha de pagamento.

6. HÁ SOLUÇÃO?

Sim. Algumas delas são indigestas para as empresas/grupos que ganharam os leilões: encampamento ou nacionalização, ou seja: o Estado retomar o controle e EFETIVAMENTE administrar o setor da economia objetivando atingir o bem-estar da população.

7. O QUE PODEMOS FAZER?

Reagir contra privatizações. Se informar. Engrossar os movimentos sociais para ampliação de direitos e impedir retrocessos. A democracia está sempre sob ataque e o que aparenta ser bom para a democracia pode esconder retorno a situações de ampla miséria.

Há muitos discursos em favor da privatização e que se esquecem dos resultados que o Brasil ainda está tendo depois do ciclo de ataques contra o Estado iniciado com o governo de Collor.

O documentário PRIVATIZAÇÕES - a distopia do capital, de Silvio Tendler, pode nos ajudar a lembrar como foram feitas as privatizações no país e seus resultados, além de inseri-las no contexto de ação do neoliberalismo no mundo.

É um assunto espinhoso, mas que diz respeito ao nosso bem-estar.

Pense FORA DA CAIXA.