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ARTIGOS

Mostrando postagens com marcador regime civil-militar brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador regime civil-militar brasileiro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ENEM - HISTÓRIA DO BRASIL - REGIME CIVIL-MILITAR E ARTISTAS CENSURADAS/OS

É fundamental que ao estudar o período de governo civil-militar brasileiro se tenha em mente que este foi caracterizado por ser uma ditadura.

Ditaduras, por sua vez, se caracterizam pelo fato de que quem está no comando das instituições políticas não está lá por vontade geral da população.

Ditaduras não admitem perguntas, problematizações. Toda oposição deve ser destruída, silenciada. As formas de reação contra um regime ditatorial vão desde o conflito direto contra os aparelhos repressores do Estado (polícia, forças militares) até o que se pode chamar de resistência sub-reptícia (aquela que se dá "por baixo dos panos", "nas intocas").

Esse tipo de resistência geralmente é desempenhado de maneira  bem interessante por artistas que, usando de malabarismos de linguagem (musical, escrita, corporal etc) , criticam a ordem autoritária.

Foi realizado em 1973 um festival de música, o Phono 73, com o objetivo de mostrar que essa gravadora não era um "reduto de comunistas" como se afirmava. Resultado: um dos registros mais contundentes da ditadura agindo contra as/os artistas - o microfone de Chico Buarque sendo cortado enquanto ele balbuciava Cálice, música considerada subversiva pelo regime.

(o som parece desvinculado das imagens em alguns momentos. O motivo: o que se escuta é o registro da mesa de som, que continuou gravando mesmo depois do microfone ter sido cortado.

#penseFORADACAIXA | #SuperSociologia



terça-feira, 12 de maio de 2015

ENEM | HISTÓRIA - O CABUETA, A DITADURA CIVIL-MILITAR, BAIANO E OS NOVOS CAETANOS

Quem estuda História deve ter sempre em mente que as ações humanas no tempo incluem mais do que decretos, leis, ações individuais de quem se destacou governando ou sendo autoritário/a. Os detalhes do cotidiano também compõe a narrativa histórica.

Assim, quando tratamos do período da Ditadura civil-militar, é importante compreende-la em suas nuances do dia a dia, naquilo que os livros não mencionam e o ato de delatar é uma dessas nuances.

Durante os mais de vinte anos de regime autoritário, muita delação foi feita. Muitas pessoas entregaram outras tendo em vista a busca pela própria sobrevivência (sob tortura) ou mesmo como forma de se vingar de um desafeto.

A cabuetagem correu solta. Desde acusações provadas depois como falsas (como a que envolveu o falecido Wilson Simonal) até casos, de início, ainda não provados (há rumores que Roberto Carlos teria sido um desses delatores).

O grupo Baiano e os Novos Caetanos (uma sátira ao cantor Caetano Veloso e ao grupo de artistas baianos, muito sucesso na época) produziu uma canção sobre a cabuetagem que fez muito sucesso na época e que pode ser acompanhada abaixo.

#penseFORADACAIXA   |   #SuperSociologia

https://www.youtube.com/watch?v=HhUzwECoZqU

VÔ BATÊ PÁ TU

Falou, é isso aí malandro
Tem que se ligar aí nesse som, tá sabendo...
Eu vou bate pá tú, pá tu bate pá tua patota

Vou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê

Pá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê

O caso é esse
Dizem que falam que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações

Deduração um cara louco
Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações

Vou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê

Pá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê

O caso é esse
Dizem que falam que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações

Deduração, um cara louco
Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações

Tá falado, tu tem que se ligar....
É isso aí, falou

Vou batê pá tu bate pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê
Vô batê pá tú, batê pá tú
Pá tú batê

Pá amanhã a pá não me dizer
Que eu não bati pá tú
Pá tú pode batê

O caso é esse
Dizem que falam que não sei o que
Tá pá pintá ou tá pá acontecer
É papo de altas transações

Deduração um cara louco
Que dançou com tudo
Entregação com dedo de veludo
Com quem não tenho grandes ligações



domingo, 4 de janeiro de 2015

EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO - IDEIA CANTADA - porque música cafona (brega) também foi censurada

É comum, quando se faz referência ao período de governo civil-militar (antes referida apenas como ditadura militar, mas esse é assunto de outra postagem, aguarde), pensar quase que automaticamente em artistas censuradas/os e, mais especificamente, em artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Raul Seixas.

Porém, deve se considerar que há a construção de uma memória "oficial" acerca da história da música brasileira e que privilegia determinadas/os artistas no processo de patrulhamento e censura da produção cultural do período.

Na época existia um grupo de artistas que era alcunhado de "cafona" (ou brega que, hoje em dia, se refere a outro estilo musical com algumas semelhanças) e que também foi censurado.

Odair José, Wando e Waldick Soriano foram colocados nesse grupo. No caso de Waldick Soriano, a canção EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO sofreu a ação dos censores pois estes acreditaram (ou quiseram acreditar) que a ela fazia queixas, denúncias contra o regime (!).

Se você ficou impressionada/o com isso, compreenda que em um regime autoritário um dos grupos que são imediatamente colocados sob vigilância é o de artistas, por falarem aos corações e mentes de quem os escuta, lê, olha.

Waldick Soriano é um bom exemplo que, mais do que ser cafona, brega, tratar de amor pode ser algo considerado perigoso, independente de como se trate.

pense FORA DA CAIXA